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Jovem de 16 anos torturado e morto por causa da sua fé em Cristo na Índia


NOVA DELI (Reuters) - O corpo mutilado de Sambaru Madkami foi encontrado na sexta-feira (5 de junho) enterrado na floresta de Malkangiri, a cerca de seis quilómetros da sua vila de Kenduguda, distrito de Malkangiri, no estado de Odisha. Os animistas da vila o prenderam na noite de quinta-feira (4 de junho), disseram fontes da área.


“Eles vieram atrás de mim”, disse o pai de Sambaru, Unga Madkami, ao Morning Star News, “mas eu não estava em casa. Eu tinha levado a minha filha que estava doente ao médico.


Por causa do confinamento da COVID-19, Sambaru teve que deixar o albergue da sua escola em Bhejaguda onde vivia para ficar na casa dos pais. Ele liderava reuniões diárias de oração de uma igreja doméstica, cujo pastor fundador que morava em outra cidade, ousava aparecer apenas duas vezes por mês, devido a crescente oposição. As únicas três famílias cristãs na vila de 210 famílias encontravam-se na casa de Sambaru.


"Sambaru era quem mais conhecia a Palavra de Deus entre nós", disse o seu primo ao Morning Star News. "Era ele quem nos levava a um tempo de oração e nos ensinava sobre a Bíblia todos os dias na sua casa."


Rapto

Cerca de sete a dez moradores chegaram à casa de Sambaru por volta das 23 horas do dia 4 de junho e perguntaram pelo pai, disse um morador da área cujo nome foi ocultado por razões de segurança.


Como o pai de Sambaru estava a caminho do hospital, a vários quilómetros de distância, os moradores raptaram Sambaru, disse a fonte.


"Eles o retiraram de casa e o levaram por alguns metros até chegar perto de uma multidão que estava a espera dele", disse a testemunha ocular ao Morning Star News, traduzida da língua tribal por um pastor da região. "Eles amarraram as suas mãos e começaram a atacá-lo."


A seguir os agressores foram à casa do primo de Sambaru, que tem o mesmo nome do pai, Unga Madkami, mas a sua esposa o impediu de sair e pediu que ele corresse em direção à floresta, disse o primo ao Morning Star News.


Os atacantes então foram a procura do terceiro cristão, Sukka Padiami, de 18 anos, que saltou pela janela de trás da casa e fugiu em direção à floresta.


"Eu e Sukka corremos a noite toda pela floresta", disse o primo de Sambaru ao Morning Star News. "Corremos por quase 20 quilómetros e depois ligamos para o pastor, que nos instruiu a ir à casa de um amigo seu e nos refugiamos lá".

Assassinato

Os agressores arrastaram Sambaru por seis quilómetros dentro da floresta, arrancando "completamente" a pele das costas, disse o pastor Pusuru, citando informações de um relatório da autópsia.


O pastor da igreja de Sambaru, Inga Madkami, disse que segundo informações da polícia e do relatório da autópsia, indicam que os agressores quebraram as pernas e as mãos do jovem cristão, colocaram-no num saco e o esfaquearam com uma faca.


A autópsia indicou que os agressores desamarraram o saco, rasgaram a boca de Sambaru de ambos os lados e esmagaram o seu rosto com uma pedra enorme, disseram os pastores.


"Os seus olhos, nariz e rosto ficaram irreconhecível", disse o pastor Pusuru, a soluçar. "Foi tudo esmagado."


A autópsia indicou que os assassinos atingiram a parte de trás da cabeça de Sambaru com uma pedra antes de cortar a sua garganta, disseram os pastores.


"Eles cavaram uma cova rasa e colocaram o seu cadáver lá e o cobriram com lama e folhas", disse o pastor Pusuru ao Morning Star News.


Prisão e Confissão

A polícia prendeu seis pessoas depois que o primo de Sambaru apresentou uma queixa, e dois dos suspeitos, Deba Madkami e outro cuja identidade não foi revelada, confessaram o rapto e o assassinato e levaram os polícias ao corpo de Sambaru, segundo o inspetor Ram Prasad Nag, o investigador que também é o chefe da esquadra de polícia de Malkangiri.


"Ainda estamos em processo de investigação e, com novos fatos a aparecer, as secções do FIR [Primeiro Relatório de Informações] estão a ser alteradas de acordo." disse Nag ao Morning Star News


A FIR 180, registada na sexta-feira (5 de junho), nomeia quatro suspeitos - Deba Madkami, Budra Muchaki, Aaita Kabasi e Ramu Madi.


"Matar Sambaru não foi suficiente" disse o pastor Pusuru ao Morning Star News, os moradores reuniram-se [na sexta-feira, 5 de junho] e decidiram matar todos os membros das três famílias cristãs". Eles tiveram que trancar as suas casas e fugir da vila, disse ele.


Para comemorar o terrível assassinato, os moradores prepararam um banquete, disse o primo angustiado de Sambaru.


“Os aldeões no dia seguinte saquearam a casa de Sambaru, roubando arroz e um porco e foram para a floresta, onde cozinharam o porco e o arroz e comemoraram o 'Odia Bhoji' [um festival de comida do estado de Odisha]”, ele disse.


Falsas Acusações

O primo de Sambaru declarou na esquadra que Sambaru foi raptado e morto por causa da sua fé cristã, mas os presos disseram aos polícias que o mataram porque ele e os outros cristãos estavam a praticar "magia negra", segundo Nag.


"Nas últimas semanas, 15 pessoas morreram devido a várias razões na vila", disse Nag ao Morning Star News. “Alguns deles tinham as mãos e pernas inchadas; os moradores achavam que Unga [Madkami, pai de Sambaru] estivesse envolvido com magia negra e bruxaria.”


Os parentes de Sambaru negaram as acusações, afirmando que o motivo do assassinato era, nas palavras de um deles, "puramente por causa da nossa fé cristã".


Os medias locais repetiram a falsa alegação de “magia negra” como motivo do assassinato, o que, na mente de muitos moradores, justifica o terrível ato.


O pastor Pusuru disse que o que levou às recentes mortes na vila foi a água contaminada, pois os próprios canais de notícias haviam noticiado isso antes do assassinato. A acusação de que os cristãos estavam a praticar magia negra e que isso causou as mortes foi inventada mais tarde, como uma tentativa de justificar o assassinato, disse ele.


O Rev. Vijayesh Lal, secretário geral da Irmandade Evangélica da Índia (EFI), disse que o seu coração está triste com a família.


"A maneira como Sambaru foi morto foi a mais horrível", disse Lal ao Morning Star News. "Uma vida jovem e promissora foi apagada por causa do ódio que parece ter permeado a própria alma desta nação, penetrando nas próprias bases".


A tentativa de envergonhar a vítima através de histórias inventadas de bruxaria é um indicador da hostilidade que persiste contra a comunidade cristã minoritária na Índia, disse ele.


"Eu sei que o sacrifício de Sambaru não será em vão - apenas Deus pode tirar proveito disso, e a minha oração é para que Ele o faça", disse Lal.


O pastor Madkami, 27, que começou a visitar Kenduguda em 2018 e liderava as reuniões de domingo e sexta-feira na casa de Sambaru, disse que os moradores o ameaçaram muitas vezes, dizendo-lhe para parar de visitar a aldeia.


"Eles planearam me atacar várias vezes, mas de alguma forma Deus me salvou", disse o pastor Madkami ao Morning Star News. “Eu costumava ter muito medo de ir à aldeia deles. Embora as nossas reuniões estavam marcadas para todos os domingos e sextas-feiras, houve meses em que eu só ia duas vezes por mês às sextas-feiras, temendo ataques dos moradores.”


A igreja adorava em silêncio, abstendo-se de cantar, a visita durava apenas 30 minutos e saía imediatamente, disse ele.


"Toda a vila estava contra as famílias cristãs e os ameaçavam, tentando forçá-las a deixar o cristianismo", disse o pastor Madkami ao Morning Star News.


"Em uma idade tão jovem, Sambaru tinha grande zelo por Deus e por ministrar ao povo de Deus", disse o pastor, em lágrimas. "Ele era o líder da juventude da minha igreja", disse ele. “Ele foi selecionado para o ministério infantil também. Ministrava às crianças sempre que vinha à minha igreja local.”


Shibu Thomas, fundador do grupo de defesa e assistência Persecution Relief, disse que o assassinato expôs a mentalidade e a atitude dos fanáticos religiosos hoje.


"Este deve ser de longe o caso mais perturbador de perseguição cristã que encontrei nos últimos quatro anos", disse Thomas ao Morning Star News. "Estou pasmo com a natureza brutal do crime."


Dibakar Parichha, secretário da Comissão Diocesana de Justiça Paz e Desenvolvimento da Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneshwar, disse que não é aceitável que esses crimes continuem a acontecer durante a pandemia de coronavírus.


"O governo deve tomar as medidas mais duras com relação ao autor do crime, para que a paz possa ser levada à localidade", disse ele.


Lal disse que a Comissão de Liberdade Religiosa da EFI registrou pelo menos 10 incidentes de perseguição contra cristãos no estado de Odisha este ano.


Em 11 de junho, dois advogados da Rede de Direitos Humanos visitaram a família de Sambaru, bem como os outros dois cristãos-alvo, e registaram as suas declarações. A equipe do HRLN, auxiliada por advogados locais, espera solicitar ao Supremo Tribunal de Odisha um inquérito de alto nível sobre o caso.


A Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA, em 28 de abril, instou o Departamento de Estado dos EUA a adicionar a Índia como um "País de Preocupação Particular" à sua lista de países com poucos registos de proteção da liberdade religiosa.


Motivos de Oração:
  • Ore pela família de Sambaru, para que Deus conforte os corações.

  • Ore para que estas três famílias cristãs que vivem na vila possam retomar as suas vidas em segurança.

  • Ore para que o testemunho dos cristãos não sejam impedidos através de falsas acusações e mentiras.

  • Ore para que as autoridades possam controlar estes ataques às minorias cristã em Odisha.


Fonte: VDM, Morning Star News

Fotos: Acima - Sambaru Madkami, 16, foi morto no estado de Odisha, na Índia.

Abaixo - Caixão de Sambaru Madkami antes do enterro.

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