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Famílias cristãs passam fome na Índia por serem impedidas de comprar comida e de trabalhar nas suas terras

Cristãos de várias aldeias do estado de Chhattisgarh, Índia, estão a passar fome porque membros de religiões tribais estão a privá-los de trabalho e se recusam a vender-lhes comida, disseram fontes.

 

Em 23 de maio, no extremo sul do estado de Chhattisgarh, na vila de Bodiguda, distrito de Sukma, aldeões que praticam a religião tribal de culto ancestral e natural atacaram as casas de três famílias cristãs, deixando 25 pessoas desabrigadas, incluindo quatro bebês.

 

"As suas casas estão em ruínas", disse o pastor Philip Veeti ao jornal Morning Star News. “Eles deitaram fora grãos suficientes para alimentar os cristãos durante um ano inteiro. As famílias dificilmente conseguem se alimentar com as provisões limitadas que possuem.”

 

Quando as três famílias se recusaram a abandonar a fé cristã, uma multidão com cerca de 150 pessoas destruíram os telhados das três casas, e deitaram fora roupas e outros pertences pessoais.

 

Os únicos provedores das famílias, Sariam Virma, Kurram Desa e Panda Suba, fugiram para a vila de Injaram, a 35 quilómetros de distância, temendo pelas suas vidas, disse o Pastor Veeti. 

 

As suas famílias em Bodiguda estão a viver debaixo da sombra escassa de uma árvore, com temperaturas a atingirem mais de 40 graus. Eles colocaram os seus filhos em sacos de folhas, mas por causa da exposição ao sol quente, eles estão muito fracos”, disse o Pastor Veeti ao Morning Star News.

 

 

A polícia se recusou a registar a queixa dos cristãos contra eles, disse o pastor.

 

"A polícia deve garantir a sua segurança, mas o chefe de polícia da região não está disponível", disse ele. "Alguns policiais visitaram o local onde os cristãos estão acampados sob a árvore, mas não registaram a nossa queixa."

 

A polícia é tendenciosa e só diz aos cristãos que eles devem se submeter ao conselho da aldeia e aos rituais e práticas Adivasi.

 

Proibição de compra

Outra família cristã, esta na aldeia de Charama, no estado de Kanker e não pode comprar comida e outras necessidades básicas por causa da sua fé, disseram as fontes.

 

Os anciãos da aldeia realizaram uma reunião em 2 de maio para anunciar que os cristãos Vishweshwar Sahu, Shivprasad Sahu, Shravan Kumar e as suas famílias foram condenados ao ostracismo. "Desde o anúncio de 2 de maio, os lojistas da vila se recusam a vender até mesmo as necessidades básicas para nós, nem mesmo os grãos de alimentos", disse Vishweshwar Sahu ao Morning Star News.

 

Em 17 de maio, Sahu abriu um processo perante o magistrado subdivisão do distrito de Kanker. A audiência está marcada para a próxima sexta-feira (14 de junho).

 

"Ninguém fala comigo", disse Sahu. “Eu enfrentei uma forte oposição durante o casamento da minha filha em 2014. A vila inteira evitou o seu casamento. Fizemos os preparativos para o casamento alugando uma tenda na aldeia vizinha, e os cristãos das aldeias vizinhas é que se juntaram a nós ”.

 

O mesmo aconteceu com o casamento do seu filho em 2015, acrescentou.

 

“Os chefes da aldeia estão muito zangados porque os meus filhos foram casados ​​com cristãos, fora dos costumes da aldeia”, disse Sahu. “Desde que a igreja começou a crescer, os meus parentes hindus instigam os aldeões a banir qualquer pessoa que venha à igreja e receba a Cristo. Eles me odeiam de tal maneira que nem sequer me dariam um copo de água se eu estivesse com sede. Para eles eu sou um ‘Pária’. (Indiano que pertence à casta social mais baixa da Índia, considerado impuro, segundo a tradição cultural hinduísta)

 

Proibidos de Trabalhar

No início deste ano, líderes da aldeia de Dargahan, no distrito de Dhamtari, convocaram oito famílias cristãs para anunciar que eles seriam economicamente condenadas ao ostracismo.

 

O conselho da aldeia disseram a eles no dia 30 de março que haviam decidido que os cristãos não poderiam mais trabalhar na aldeia, disse o morador local Rajaram Nisad. 

 

Os cristãos informaram imediatamente a esquadra de polícia de Karegaon, que convocaram ambas as partes para tentar um acordo, sem sucesso.

 

“Nos primeiros dois dias após a intervenção policial, os aldeões não nos perturbaram”, disse Nisad ao Morning Star News. "Mas depois disso, eles começaram novamente a nos assediar."

 

A proibição do trabalho se estende ao movimento em Dargahan, disse ele.

 

"Nós viajamos para aldeias vizinhas para procurar trabalho, mas somos proibidos de viajar em transportes públicos e outros veículos. Gastamos 1.000 rúpias [12 €] ou mais para contratar tractores de aldeias a 25 kms de distância ”.

 

Qualquer pessoa na vila que converse com os cristãos ou lhes ofereça uma boleia no seu carro é multado em 5.000 rúpias (63 €). "Eu tive alguns amigos que conversaram comigo e foram multados em 500 rupias (6 €) cada por violar as regras", disse ele.

 

A proibição de trabalhar na aldeia inclui o trabalhar nas suas próprias terras. "Como as nossas terras não são cultivadas há meses, temos escassez de grãos", disse Nisad. E as lojas foram proibidas ​​de venderem mercadorias para nós. Eles não moerão o nosso trigo e também não nos vão vender arroz ou óleo. Somos tratados como “intocáveis” ou seja, ninguém deve ter contato connosco, mas ainda assim não paramos de nos reunir para o culto aos domingos.”

 

Ritual de Reconversão

Na aldeia de Darashiv no distrito de Champa, os seguidores de Satnami, que é semelhante ao sikhismo, organizaram em 12 de abril um ritual para reconverter os cristãos de volta à sua religião.

 

"Eles nos disseram que é um ritual para limpar a aldeia do cristianismo e nos obrigou a participar dele", disse Yashoda Ratre de 31 anos e mãe de três filhos.

 

Os aldeões ordenaram aos cristãos que trouxessem paus de incenso e cocos para oferecer às suas divindades. "Nós nos recusamos a oferecer os cocos ou nos curvar diante das divindades, mas três famílias cederam e renunciaram a Cristo", disse Ratre ao Morning Star News.

 

Estas não foram as primeiras perseguições que ela enfrentou. Quando Ratre se tornou a primeira pessoa na sua aldeia a colocar a sua fé em Cristo, o seu marido a abandonou com um bebê de 15 meses.

 

"Eu enfrentei a humilhação na minha aldeia e disseram aos meus pais que eu tinha sido amaldiçoada por aceitar uma fé estrangeira", disse Ratre. “Passei dias e noites a jejuar e a orar pela minha família, para que também conhecessem a Cristo. Milagrosamente, em 2012, o meu pai, os seus quatro irmãos e as suas famílias receberam a Cristo. Desde então os aldeões não param de nos perseguir. Os comerciantes foram avisados para não nos venderem suprimentos diários", disse ela. "Estamos prontos para morrer de fome, mas não vamos deixar a Cristo".

 

Os cristãos indianos representam apenas 1,92% do total de 25 milhões de habitantes do estado de Chhattisgarh, de acordo com dados de 2011.

 

Desde de 2014, quando Narendra Modi, do Partido Bharatiya Janata, chegou ao poder, a perseguição aos cristãos tem aumentado demasiado. Por favor, ore pela Índia.

 

Para ajudar os nossos irmãos perseguidos da Índia clique aqui.

 

Motivos de Oração:

  • Ore para que o governo seja justo com as minorias religiosas da Índia e defenda aqueles que estão a ser perseguidos por causa da sua fé.

  • Ore para que a fé dos nossos irmãos na Índia permaneça firme e que esta perseguição não tenha poder de os fazerem voltar atrás.

  • Ore pelos cristãos do estado de Chhattisgarh e pelas famílias que estão a passar por esta perseguição, para que Deus supra as suas necessidades físicas, emocionais e espirituais.

 

Fonte: Morning Star News

Fotos Morning Star News: Topo - Cristãos privados de lares e comida na aldeia de Bodiguda, distrito de Sukma, estado de Chhattisgarh, Índia.
                                           Meio - Casas destruídas em Bodiguda, estado de Chhattisgarh, Índia, em 23 de maio de 2019.

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